La Paz: ame ou deixe-a - Parte 1

por Thiago Luiz

15 de maio, 2016

La Paz: ame ou deixe-a - Parte 1

La Paz é a típica cidade que não agradaria a todos, claro que não é um caso único de La Paz, pois Roma também pode não agradar, porém La Paz tem um grande potencial. Longe de ser uma cidade romântica, longe de ser uma cidade tranquila no meio do mato ou perto da praia, mas muito perto de mexer com suas emoções, sendo boas ou ruins. Mas um coisa não podemos negar: La Paz é perfeitinha pra ser cidade base pra outras aventuras pela Bolívia, em viagens bate-e-volta, como a Estrada da Morte, Lago Titicaca e sítios arqueológicos. Não posso deixar de dizer que o contraste social é enorme! Quando estás na zona sul da cidade, você percebe que La Paz muda de cor, pois deixa de ser marrom de tijolo das casas sem revestimentos para prédio coloridos de bairros arborizados. La Paz também tem seu cantinho desenvolvido que pode te encantar. Dos países da América do Sul, foi a cidade que mais me surpreendeu (e me chocou) pelo grande contraste social. La¨Pá¨, como dizem os cruceños, foi a cidade que mais dediquei meu tempo. Como falei em post passado, sou super adepto do slow travel, isto é, não tenho pressa e nem corro contra o tempo para conhecer maior parte do país num espaço de tempo que muitas vezes é limitado. A minha viagem foi final de janeiro de 2016 e estou escrevendo somente 4 meses depois, mas de uma forma proposital: me faz lembrar realmente do que me marcou. Detalhes não pontuais ou insigniantes não ocuparão as seguintes linhas. Então, respondendo  famosa pergunta: Você voltaria para La Paz? Sim, mas ficaria na La Paz desenvolvida, no sul (Bairro Sopocachi é uma boa pedida :}). E prepare seu fôlego: são mais de 3000 metros de altitude, que te fará mais fraco, cansado e até virar rei por um dia (pois não sairás do trono, hehehe). Noites frias, de dias ensolrados. Ou de dias nublado com chuva. Não se engane esperando um cidade rica, colorida e arborizada, pois em sua maioria, não é. O centrão, caótico como qualquer grande cidade. Taxis, estão, alguns, caindo aos pedaços. Sem taxímetro, você vai precisar se informar antes para combinar um valor. No mais, Bolívia é barata. Eu sempre peco nas minhas viagens em questão de valores, pois esqueço de anotar tudinho. Na verdade, eu não sou daqueles que economiza de tudo numa viagem. Eu economizo é fora dela pra poder gastar um pouco mais viajando por esse mundo. Mas prometo que próxima viagem eu farei uma planilha de custos! E sabe o que mais me instigou: La Paz consegue ser aconchegante! Pelas praças que visitei, como também os mirantes, é possível você se desligar de alguns instantes do mundo que te cerca e aproveitar o momento. Claro, na zona sul! Já estive praticamente em quase toda América do Sul, então acredito que meu choque não foi tão grande assim. Então, vamos ao relato?

DIA 01

Meu voo saia as 11h para La Paz, logo fiz check-out e pedi o taxi para o aeroporto. Sobre táxis em Santa Cruz, como em toda Bolívia, não há taxímetro. É necessário negociar o valor previamente com o motorista. Então, achei melhor muitas vezes perguntar para alguma pessoa na rua antes quanto iria me custar tal corrida, para assim, negociar. Se você pedir o taxi por radio taxi, o que é mais seguro e vem já como valor pré-fixado. Taxi na Bolívia eu acho relativamente barato.. Usei muito pois o sistema de transporte deles são vans ou micro-ônibus, o que se faz não ser uma boa opção quando estar de mala. Chegando ao aeroporto, fui ao balcão da Amaszonas para despachar a mala para La Paz! Por ter comprado a passagem no Brasil com cartão de crédito, ela me solicitou que mostrasse o cartão de crédito utilizado na hora do check-in, mas eles avisam no e-mail quando recebes o e-ticket. Não havia filas no check-in e foi bem tranquilo! Embarque feito, esperei uma sala no andar de baixo, e estávamos prontos para decolar até La Paz. O avião era um Bombardier com filas 2-2. Era somente uma comissária que não estava com muita vontade de trabalhar. Mesmo sendo um voo curto em um avião pequeno, foi um voo BEM MAIS suave, comparado ao que voei de Popayan até Bogota em 2015 em um ATR novo da Avianca. Cheguei em La Paz e já sentia o Frio. Coloquei o casaco e fui buscar a mala na esteira. Por ser um avião de médio porte, não é possível embarcar e desembarcar por fingers. Chegando na área das esteiras, percebo que a área de desembarque nacional e internacional são as mesmas. Foi até estranho, pois a guria que estava no controle de saída da área das esteiras perguntou se estaria vindo de Cuzco. Então, quando você sai da área de desembarque, você se pergunta: cadê o aeroporto? A área de desembarque não tem saguão! Ele desemboca ao lado de fora, junto aos ponto de táxis. Para chegar ao saguão do aeroporto, é necessário contornar o aeroporto pelo lado de fora. Tomei o taxi e negociei um valor de 60 Bs. Fiquei hospedado no famoso hostel "Loki". Tinha a melhor relação custo, benefício e pontuação no booking.com. Dividi um carro privado com duas camas de solteiro com o querido Igor, que conheci via Mochileiros.com, onde descobrimos que nossas datas iriam ser as mesmas. Ficamos no primeiro andar (graças a Deus), num total de sete. Os dois últimos andares são destinados às áreas comuns. O sexto andar era a sala de jogos, de computadores e área de fumante, enquanto o sétimo, o famoso bar. O bar do hostel funciona todo dia às 2h, com staff animado, com músicas voas, cervejas a 19 bolivianos (Corona, 20 Bs) e tinha mesas e uma sinuca! À noite ocorria a Beer Pong! Porém, o barulho era muito alto e era possível escutar desde o nosso quarto no primeiro andar. Imagina no quinto? O café da manhã no hostel é pago e achei caro. No primeiro dia, como acabei chegando próximo ao meio dia, acabei almoçando por lá. Pedi um macarrão ao molho pesto com pedaços de frango por 30 Bs. Uma delicia! Pedi também um Panini e suco de Laranja, 15 bolivianos cada. No saguão hostel há agência de viagens deles, que vendes pacotes com eles e recepção. O pagamento é feito somente no final, em um balcão a parte e só pode ser efetuado somente com dinheiro, podendo ser dólar ou bolivianos. Loki fica localizado no central da cidade, perto do Mercado Lanza e tem uma fachada toda de vidro que chama a atenção.  Então, após meu almoço, puxei papo com um alemão que também estava sozinho e estava há 2 dias em La Paz. Entao, como já havia programado para a minha viagem primeiro dia na cidade como "Livre", pois devido à alta altitude, os efeitos estavam sobre o meu corpo. Ao dar dois passos, pareceria que estava na corrida de São Silvestre e me sentia muito cansado. Não sei por realmente estar e dormir quase nada dias antes de chegar em Santa Cruz, ou efeitos da altitude que são normais. Porém o efeito que mais me atacou, foi do estômago. Ano passado, em Bogotá, descobrir que minha flórea intestinal brasileira não se dá muito bem com as comidas aqui da América espanhola. Então, vivo como um rei. Então fiz amizade com o alemão, por sinal iria morar 6 meses em La Paz para aprender espanhol e tinha apenas 21 anos. Fomos caminhando e chegamos até a Plaza Murillo, onde está as sedes do governo. Praça é pequena e tem mais pombos que pessoas!

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Pombos bolivianos na Plaza principal.

Descemos uma das ruas e achamos uma café livraria The Writers, que por sinal está de parabéns pelo belo café gelado com Oreo que comi! Saímos do café e voltamos em direção ao hostel, pelo caminho  por trás. Passei pela frente da Plaza San Francisco com sua igreja homônima é enorme! Contornei a quadra da igreja para chegar novamente ao hostel, onde fiquei o restante do dia para me adaptar a altitude.

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Cardápio do The Writers.

DIA 02

Na primeira noite em La Paz não consegui dormir... Não sei se era a ansiedade da viagem, ou altitude, ou a festa que rolava lá no sétimos andar... Sei que se dormi, foi poucas horas. Então, eu e meu amigo, o Igor, acordamos com sede de desbravar a cidade. Descemos até a recepção, onde a simpática Caroline nos mostrou o mapa da cidade e nos apontou no mapa as regiões mais interessantes de La Paz. Na verdade são os bairros próximos do centro, sendo eles: Miraflores e Sopocachi. Antes, fomos comer Salteñas e tomar suco naturais nos vendedores em carroças na praça em frente do hostel. Sucos naturais na Bolívia são fáceis de encontrar, porém nem todos os sabores. Decidimos então iniciar o tour conhecendo a Calle Jaén, rua conhecida por ser histórica e manter as características de época. Nela estão concentradas um circuito de museus, bares/cafés e agências de viagens. Estava tudo fechado, pois era sexta-feira é feriado nacional. O bacana que para o caminho passamos por ruas onde haveriam concentrações para algum desfile cívico. Nunca vi tanta Chola reunida, desde a mais nova até as senhoras. Como na Calle Jaén estava tudo fechado (como resto da cidade), decidimos conhecer o mirante Killi Killi, indicado como a melhor vista da cidade pela guria do hostel, porém bem era citado nos meus guias de viagem. Para chegar lá, caminhamos pela Avenida Sucre até chegarmos na esquina próxima ao corpo de bombeiros da cidade. Na mesma esquina esperamos o ônibus 37 que subiria o morro e nos deixaria na porta do mirante. À entrada do mirante pelo que vi é paga, mas por ser feriado, era free. Assim, até pensamos em subir a pé o morro, mas achamos muito sinistro o caminho. Fomos descobrir mais tarde que caminho é bem simples, mas puxado! Descemos a pé e foi tranquilo. O mirante tem um panorama quase que 360º da cidade. Vale a ida!

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Depois mirante, fomos andando conhecer o bairro Sopocachi. A caminhada foi um pouco longa... Nosso objetivo era chegar ao próximo mirante, que era bem citado pelo Lonely Planet, como também uma amiga do Igor que tinha dito que a vibe desse parque com mirante é mais bacana. O parque se chama Laikacota Mirador é realmente tem uma vibe família. O parque conta com grande área de diversão para as crianças, com vários brinquedos e área verde para sentar na grama e jogar papo fora. Foi o que fizemos um pouco por um tempo e nos sentimos como os locais.

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O parque estava cheio pelo dita feriado, então estava uma festa! A vista do parque não chega nem aos pés do Kiri Kiri, mas dá pra se ter um panorama do bairro.

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Porém, o que mais chamou nossa atenção foi um escorregador para adultos! Na verdade era pra crianças também, mas tinha maiores proporções. Adorei descer nele! Admito que dá uma queimadinha na bunda, ainda mais se estas de calça jeans como eu.

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Bão demais!

Após ao parque, fomos caminhando até o bairro de Socopachi. Do próprio parque há uma saída por passarela em direção ao bairro.

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A caminho de Sopocachi, direto do parque Laikacota.

Depois também de uma boa caminhada, chegamos ao bairro. Engraçado que enquanto caminhamos, conhecemos uma La Paz totalmente diferente: mais arborizada, limpa e com acabamentos nas casas e edifícios. Era nitidamente um bairro mais nobre e tinha opções mais finas para comer e sair. A rua principal, 20 de Octubre é onde está as principais atrações do bairro, como cafés,  restaurantes e bares.

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Procurando um lugar pra comer em Sopocachi com Igor.

O bairro tem uma praça muito bacana, onde tem gente toca do maracatu, andando de Skate ou fazendo slackline. Paramos para almoçar no Mundo Ciclick, restaurante que traz no cardápio pratos típicos dos quatro cantos do mundo.

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Plaza Eduardo Avaroa - ótima praça no coração de Sopocachi.

Optei por um sanduíche boliviano, que junto com o suco saiu por 50 Bs. Após o almoço, como não me estava sentindo muito bem, voltamos para o Hostel de Táxi, ao custo de 15 Bs.   À noite, fomos até a festa do hostel: foi dia de jogar Beer-Pong contra o pessoal de Israel.



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Thiago Luiz

Thiago Luiz, 30 anos, servidor público na área de engenharia. Um apaixonado por cidades que ainda não esteve e pelas pessoas que ainda não conheceu!

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